Crônicas do Brasil Imperial

Como era viver no Rio de Janeiro há 176 anos?

Rio de Janeiro, Brasil — outubro de 1850

Rua histórica do Rio de Janeiro, 1850, com sobrados, lampiões e pessoas caminhando

1. Uma luz que mal iluminava

Imagine que você acordou em uma casa qualquer do Rio de Janeiro, no ano de 1850. O sol desapareceu no horizonte e, com ele, a maior parte da luz que iluminava os cômodos. Não existem interruptores, lâmpadas elétricas ou tomadas: a cidade ainda vive na era pré-elétrica, e iluminar uma casa durante a noite depende de chamas alimentadas por velas e óleos combustíveis. Sem uma fonte de luz, até mesmo tarefas simples precisam esperar pelo amanhecer.

Na casa de Joaquim, um jovem fictício de dezenove anos, sua mãe acende uma pequena lamparina abastecida com óleo de mamona, extraído das sementes da planta conhecida como mamoneira. Esse tipo de óleo podia ser produzido artesanalmente ou adquirido no comércio, por meio de vendedores de óleos, boticários e outros estabelecimentos que comercializavam produtos para uso doméstico. A chama ilumina apenas uma pequena parte do cômodo, suficiente para enxergar a mesa e os objetos próximos, mas fraca demais para afastar por completo a escuridão dos cantos da casa.

Lamparina doméstica acesa sobre a mesa, ao lado de uma caneca e uma colher

O combustível fazia diferença. No Rio daquele período, o azeite de oliva podia ser usado na iluminação doméstica, enquanto óleos de origem animal, incluindo o chamado azeite de peixe, tinham papel importante na iluminação pública. Esse último nome não significava necessariamente óleo de qualquer peixe: o óleo de baleia era uma fonte relevante. Ele era obtido a partir da gordura do animal e podia ser queimado em lampiões, embora produzisse uma luz fraca e pouco agradável.

A iluminação a gás, que transformaria parte da paisagem urbana, só seria inaugurada na cidade em 1854. Em outubro de 1850, essa novidade ainda estava a alguns anos de distância.

Naquela manhã, porém, Joaquim não tinha tempo para pensar no futuro da iluminação. A sua mãe já o chamava pela segunda vez.

— Levanta, rapaz! O sol não vai esperar

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